CARDEAL PEDE AJUDA DE GOVERNO CHINÊS CONTRA ORDENAÇÃO DE BISPO

13-07-2011 19:44

CARDEAL PEDE AJUDA DE GOVERNO CHINÊS CONTRA ORDENAÇÃO DE BISPO

CIDADE DO VATICANO, 13 JUL (ANSA) - O arcebispo emérito de Hong Kong, o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, publicou em um jornal chinês um "apelo urgente" para o presidente da China, Hu Jintao, e ao premier Wen Jiabao para que evitem uma ordenação episcopal não autorizada pelo Vaticano, que causou protestos na comunidade católica do país.
   
O religioso publicou um anúncio na edição de hoje do jornal Apple Daily no qual pede aos dois líderes que se "dediquem um pouco de seu tempo para cuidar dos católicos" na China. Ele assinou como um "cidadão ancião de Hong Kong".
   
A publicação da mensagem foi uma forma de protesto contra a notícia de que bispos obedientes à autoridade da Santa Sé teriam sido levados pela polícia chinesa para participarem à força da nomeação de Joseph Huang Bingzhang como bispo da diocese de Shantou sem a autorização do Papa que está programada para amanhã.
   
No anúncio, Zen pediu que eles acabem com "funcionários canalhas que violam a Constituição do Estado, usam a violência para ajudar a escória da Igreja, e forçam os principais bispos, padres e pessoas de bem a fazerem coisas contra sua vontade".
   
Ao final, o arcebispo sentencia que "Deus é misericordioso, mas Ele não pode abençoar aqueles que dificultam a vida para Seu povo".
   
Amanhã à tarde, a diocese Comissão Justiça e Paz deverá distribuir 60 mil cópias de um jornal em locais públicos de Hong Kong e na diocese de Macau com o texto de apelo do cardeal Zen, além de artigos sobre liberdade religiosa, históricos de ordenações não reconhecidas realizadas na China e denúncias sobre tratamentos desumanos contra clérigos detidos.
   
Outro sacerdote, o bispo John Tong, de Hong Kong, enviou uma carta hoje a todas as paróquias e comunidades religiosas de sua diocese pedindo que "orem pelos nossos irmãos e irmãs na China, que lutam para manter sua fé".
   
Ele relembrou as ordenações de 20 de novembro do ano passado e de 29 de junho deste ano não reconhecidas pelo Vaticano e classificou-as como "ilegítimas" "porque elas estão sendo levadas pelo governo sem a aprovação de nosso Santo Padre", afirmou.
   
De acordo com a agência missionária AsiaNews, seis sacerdotes reconhecidos pela liderança da Igreja Católica -- incluindo quatro bispos da província meridional de Guangdong, um da cidade de Haimen e outro da província meridional de Jiangxi -- desapareceram após serem levados pela polícia nos últimos dias, que deve os forçar a participa da ordenação.
   
Ontem, o porta-voz da Chancelaria chinesa, Hong Lei, evitou comentar sobre os desaparecimentos, mas defendeu a ordenação a revelia do Vaticano, argumentando que isso é "uma demonstração da liberdade religiosa que existe na China".
   
As cerimônias de nomeação dos bispos são encabeçadas pela Igreja Patriótica, a autoridade católica autorizada pelo governo chinês a realizar trabalho pastoral no país. Pequim e Santa Sé na mantém relações diplomáticas desde 1951, quando o governo de Mao Tsé-tung condenou a influência do Vaticano na China. (ANSA)

 

Fonte: https://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/fdg/201107131212405211/201107131212405211.html