Igreja cubana critica política migratória do governo

03-11-2011 13:06

Igreja cubana critica política migratória do governo

Texto E. Assunção | Foto Lusa | 03/11/2011
Dissidente cubano à sua chegada a Cuba
Um artigo de Orlando Marquez, publicado na revista «Palabra Nueva» alude ao apelo da Igreja católica cubana ao presidente Raúl Castro para alterar a política migratória e "restabelecer a justiça" entre todos os cubanos
 

É uma questão de justiça e uma necessidade para o futuro de Cuba, segundo o director da revista católica, Orlando Marquez, alterar a política migratória do governo e “restabelecer a justiça neste campo”. O jornalista critica, na página da net da «Palabra Nueva», “as excessivas e irritantes restrições ao movimento migratório” na lei cubana e destaca a importância de “actualizar” essa política. “Certamente somos uma nação fragmentada desde há várias décadas, que procura reorganizar-se e restabelecer os laços para compreender a sua própria história passada e reconstruir o presente”, lê-se no texto. Trata-se de um “ato de justiça” para os emigrantes cubanos e que têm mais direito do que cidadãos de outros países a visitar Cuba. “Os motivos que os levaram a sair – seja por haver um governo revolucionário há 50 anos, por pressões políticas, laços familiares ou a procura de melhores oportunidades económicas – por si só não retiram a estas pessoas [que emigraram] a sua condição de cidadãos cubanos”.

 

Orlando Marquez mostra as “graves contradições” da lei cubana sobre a migração, lembrando que ela não admite a dupla nacionalidade e quem adquire uma nova nacionalidade perde a cubana. “É incoerente – para não dizer indecoroso – exigir aos emigrantes nacionais que visitem o país com passaporte cubano – embora tenham adquirido a nacionalidade do país onde residem – e cobrar-lhes um caríssimo visto de entrada estampado num passaporte que os reconhece e identifica como cidadãos cubanos”.

 

O presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciou em Agosto passado que o governo estava a trabalhar para a “flexibilização” da política migratória. No entanto não indicou se a nova lei incluirá medidas como a supressão do chamado “cartão branco” ou autorização de saída obrigatória, que todos os cubanos têm de pedir para sair do país. Segundo o presidente cubano, o objectivo é contribuir para “aumentar os vínculos da nação com a comunidade emigrante, cuja composição é diferente da existente nas primeiras décadas da Revolução”.

Fonte: www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=21123&sec=8