Padre Reginaldo Manzotti: Confissão e caridade para superar o pecado do aborto
Padre Reginaldo Manzotti: Confissão e caridade para superar o pecado do aborto
Rio - Pergunta da semana: “Padre, interrompi uma gravidez já faz algum tempo e, hoje, quando alguma situação difícil ocorre na minha vida, atribuo ao fato de ter cometido esse pecado. Fico o tempo todo imaginando que se não tivesse interrompido a gravidez, não estaria passando por determinado problema. Creio que estou sendo castigada o tempo inteiro e peço sua orientação, pois vivo atormentada por esse pensamento. Gostaria de manter-me anônima. Obrigada.”
Eu a acolho sem julgá-la, pois Deus não me constituiu juiz de ninguém. Também não vou comentar sobre o trauma do aborto, pois você tem consciência disso. Mas não posso deixar de observar: houve um erro. O que você precisa fazer é reestruturar-se por meio do perdão. Deus, infinitamente misericordioso, diante de seu arrependimento sincero, perdoa. Mas consequências precisam ser trabalhadas. O aborto pode não deixar marcas no corpo, mas sempre deixa no espírito, tira a paz.
Se você ainda não procurou um sacerdote, procure e faça sua confissão. Para a Igreja Católica, a confissão é sacramento de cura, instituído por Jesus Cristo. Sob a luz e o impulso do Espírito Santo, comece seu processo de cura pela confissão. O pecado afasta-nos de nosso verdadeiro lugar, o coração de Deus, e a confissão nos traz de volta ao coração misericordioso do Pai. Quando temos a coragem de pedir perdão, abrindo o coração a um confessor, experimentamos a misericórdia de Deus, e a graça santificante faz brotar em nós a paz. Depois, dedique-se à caridade. Não me refiro só a doar cestas básicas, mas também reservar um tempo para atuar em obra com crianças carentes. Você pode procurar trabalho voluntário numa creche, em alguma instituição para crianças ou, ainda, na pediatria de hospitais. O importante é que envolva o cuidado de crianças. Lembre-se: “A caridade cobre uma multidão dos pecados” (1 Pd 4, 8).
Devemos entender que as dificuldades e os sofrimentos não são castigos enviados por Deus, mas Ele pode aproveitar-se deles para nos corrigir, sim, como um pai zeloso que só quer o nosso bem, porque nos ama, como ensina a Carta aos Hebreus: “Já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: ‘Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não te desanimes quando Ele te repreende, pois o Senhor corrige a quem ama e castiga a quem aceita como filho’. É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige? No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados” (Hb 12, 5-7.11). Sempre nos deparamos com tribulações, mas tudo depende de como as enfrentamos e o proveito que tiramos, nos momentos ruins. Sempre é possível aprender algo que nos edifica e nos faz amadurecer.
Houve um erro grave, porém a solução não é deixar o remorso tomar conta de sua existência. Sempre é tempo de recomeçar. Deus a aceita como está para fazer de sua vida uma obra nova. Ele refaz “toda pessoa e a pessoa toda”. Siga fazendo o bem. Com Deus e em Deus você conseguirá a paz interior. Que Deus a abençoe.
